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"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!".

Pois…É finito, pero Ces’t la vie!

November 17th, 2008

A vinte e sete dias atrás as copas das árvores da Rotunda da Boa Vista estavam esverdeadas e repletas de vida e eu estava prestes a começar a minha jornada. Meu tempo se esgotou e a viagem chega ao fim e agora de volta ao Porto, as folhas já não estão juntas aos troncos, mas cobrem o pavimento da rotunda formando um tapete de tons outonais.

Nunca havia visto um Outono tão caracteristico assim. As paisagens são lí­ricas e a cidade fica extremamente poética com essas cores.

Esse é meu último post de terras Europeias, tenho histórias inéditas para contar, como a de ontem e como eu quase dormi na rua numa noite realmente muito fria, mas essas ficam para quando chegar, pessoalmente é mais interessante.

Agora vou aproveitar o pouco tempo que me resta para filosofar um pouco, alguns devaneios que me surgiram ao caminhar pelo bairro de Montmartre em Paris. Era lá o Albergue que eu fiquei os 5 dias, e andei bastante por alí, adorei aquele bairro e em certo momento, depois de passar pelos mesmos lugares umas 5 vezes ou mais, a pracinha onde as crianças sempre brincavam começou a parecer uma praça qualquer, aquela lanchonete onde comi um Kebab excelente já não era mais a lanchonte de Paris onde comi um Kebab, mas apenas uma lanchonete.

Ainda era a maravilhosa Paris e eu sei que cinco dias é muito pouco para se sentir como me sinto em casa, mas deu para ter uma idéia de como esse processo acontece. Estou falando sobre o fato de que mais cedo ou mais tarde, todos os lugares se tornam iguais, quando a pessoa se acostuma com aquele lugar o vislumbramento infantil pelo novo termina, pois as coisas já não são mais inéditas.

Não é dificil entender como os Parisienses conseguem passar por debaixo da torre Eiffel e não parar para admirila-la por um minuto.

No final tudo se repete, mas ainda sim mesmo nessa repetição infinita há muita beleza, basta um olhar um pouco mais atencioso.

Esse trecho abaixo fala sobre o Eterno Retorno, uma filosfia de Friedrich Nietzsche, acho que é um boa conclusão para meu devaneio.

A pergunta que o conceito do Eterno Retorno nos faz é: amamos ou não amamos a vida? Se tudo retorna – o prazer, a dor, a angústia, a guerra, a paz, a grandeza, a pequenez — se tudo torna, isto é um dom divino ou uma maldição? Amamos a vida a tal ponto de a querermos, mesmo que tivéssemos que vivê-la infinitas vezes sem fim? Sofrendo e gozando da mesma forma e com a mesma intensidade? Seríamos capazes de amar a vida que temos – a única vida que temos – a ponto de querer vivê-la tal e qual ela é, sem a menor alteração, infinitas vezes ao longo da eternidade? Temos tal amor ao nosso destino? – Eis a grande indagação que é o Eterno Retorno.

Ele é, portanto, uma das maiores indagações da filosofia: aquele que quer respondê-la deve posicionar-se além de bem e mal – enxergar a vida como o todo único e múltiplo que ela é: e amá-la. E o principal: fazer bem feito e com alegria cada detalhe de cada mínimo ato, pois ele se repetirá para sempre.

Filed under: Trip

6 Responses to “Pois…É finito, pero Ces’t la vie!”

  1. celina Says:

    Gustavo,

    Ah que pena. ja tinha me acostumado abrir os favoritos para saber para onde eu estaria viajando aquele dia. ou seja, viajar junto com as suas notícias e comentários. Adorei muito tudo o que voce enviou. Bom retorno.

    Beijos/celina

  2. Madre Says:

    O bom filho a casa retorna.
    Amamos a vida e tudo o que ela acompanha, se feliz ou infeliz,chorando ou sorrindo, mesmo assim queremos vive-lá infinitas vezes sem fim?
    Porque tudo isso é um dom Divino.
    Parabens meu filho por tudo o que voce nos proporcionou nesta nossa longa viajem; Apesar da saudade, foi bom viajar com voce, como diz nossa irmã Celina.
    Francamente eu não sabia que tinha um filho “filosofo poeta e escritor” Parabens Gu bom retorno, um grande beijo

  3. otubo Says:

    Fi,

    Agora deu uma inveja MÁSTER: Montmartre foi onde foram gravados as cenas de Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain. PORRA, deve ser lindo. Quero ver fotas depois :-)

    E tu sabe que eu penso nessa coisa de admirar a beleza do cotidiano? Penso mesmo! Não é pieguisse, não. Óbviamente que meus fones de ouvidos e uma seleção cuidadosa de músicas no meu celular ajudam :-) O simples fato de caminhar pela cidade e observar as pessoas, avenidas, ruas com árvores o vento… Pô, impagável. Se eu viveria infinitamente? Olha, acho que sim. Viveria. :-D

    Mas com certeza isso é assunto pra gente sair e bater longos papos. Bora?

    Grande abraço, fi!

  4. Fernanda Says:

    como eu disse antes, agora essas milhares de coisas novas no começo parecem um simples sonho ou uma lembrança vaga… mas aos pouco dá pra perceber que tudo aconteceu de verdade mesmo!!
    e sobre ver coisas novas em lugares de sempre… bom, mas concordo com o cabeça aqui em cima! são coisas simples. claro que na maioria das vezes aquela praça é uma simples praça, mas vez ou outra ainda dá pra olhar as coisas de um jeito novo, ver algo que nunca tinha visto antes… blablabla… mto mais a falara respeito!!
    gostie desse post. muito.
    Beijo

  5. Miriam Says:

    nossa que filósofo!

    beijos Gu

  6. Miriam Says:

    muito legal a foto!

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